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Importação de produtos regulados pela ANVISA: passo a passo

Importar produto regulado não é só comprar lá fora e desembarcar aqui. O fluxo passa por vários sistemas — Siscomex, Visa, Receita — e qualquer falha trava a carga no porto.

Pré-requisitos da empresa

Antes da primeira importação, a empresa precisa estar habilitada em:

  • Radar Siscomex (Receita Federal) — modalidade adequada ao volume.
  • AFE da ANVISA cobrindo a classe que será importada.
  • Registro/notificação do produto na ANVISA (com nome do importador no fabricante).
  • Cadastro do importador no sistema da ANVISA.

O fluxo de importação

  1. Compra internacional (commercial invoice, packing list, BL/AWB).
  2. Embarque do produto com toda a documentação técnica.
  3. Chegada ao Brasil — produto fica em zona primária (porto/aeroporto).
  4. Licença de Importação (LI) no Siscomex — deferimento pela ANVISA.
  5. Petição de Inspeção Sanitária (LIVS/LMS) no SOLICITA da ANVISA.
  6. Inspeção física quando a ANVISA determinar — análise de lote, conferência documental.
  7. Liberação sanitária — registrada no Siscomex.
  8. Liberação da Receita Federal — pagamento de tributos, conferência final.
  9. Liberação para o importador — carga sai do recinto alfandegado.
Onde costuma travar

Os erros mais comuns: (1) AFE sem a classe correta, (2) produto não registrado em nome do importador certo, (3) documentação incompleta no upload do SOLICITA, (4) divergência entre invoice e documento técnico. Cada um desses pode custar dias ou semanas de carga parada — com custos de armazenagem rodando.

Documentação técnica que viaja com a carga

  • Commercial invoice detalhada (descrição, NCM, valores).
  • Packing list com pesos e dimensões.
  • BL/AWB (conhecimento de transporte).
  • Certificate of Analysis (CoA) do lote.
  • Free Sale Certificate ou equivalente.
  • CBPF do fabricante (para certas classes).
  • Manual técnico / IFU para dispositivos.

Tributação

Além de II, IPI, ICMS, PIS/Cofins-Importação, o importador paga TFVS específica da inspeção sanitária. Vale calcular o custo total nacionalizado antes de fechar pedido — em alguns casos, o regime Drawback ou alguma posição Ex-tarifário reduz o impacto.

Holder Service para o importador

Empresas internacionais que querem mercado brasileiro mas não estão prontas para abrir filial podem usar Holder Service — uma empresa brasileira detém o registro e atua como importador parceiro. É um caminho mais rápido (e mais barato) que abrir CNPJ.