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Protocolo de Madri: como registrar marca em vários países a partir do Brasil

Antes de 2019, registrar marca em vários países era pesadelo administrativo. Hoje, com o Protocolo de Madri, um único pedido a partir do Brasil pode cobrir mais de 100 países.

O que é o Protocolo de Madri

O Sistema de Madri é um tratado internacional que permite registrar uma marca em múltiplos países por meio de um único pedido — administrado pela WIPO (Organização Mundial da Propriedade Intelectual).

Brasil aderiu em outubro de 2019.

Quem pode usar

  • Pessoa jurídica brasileira com marca registrada ou pedido depositado no INPI (a marca brasileira é a "base").
  • Pessoa física brasileira com mesma situação.
  • A marca internacional precisa ser idêntica à brasileira (em sinal e escopo).

Países cobertos

Mais de 130 países são membros — incluindo EUA, União Europeia, China, Japão, Reino Unido, México, Coreia do Sul, Israel, Austrália, Rússia, índia.

Países que não fazem parte: alguns sul-americanos (Argentina, Uruguai) e do Oriente Médio. Para esses, ainda é preciso depositar marca direto no país.

Vantagens

  1. Um pedido para vários países (em vez de N pedidos separados).
  2. Custo menor que pedidos individuais.
  3. Idioma único (português / inglês / francês / espanhol).
  4. Renovação centralizada a cada 10 anos.
  5. Alterações simultâneas (mudança de titular, endereço) em todos os países.
  6. Possibilidade de adicionar países depois (designações posteriores).

Desvantagens / cuidados

Dependência da marca-base por 5 anos

Se a sua marca brasileira for invalidada nos primeiros 5 anos, todas as marcas internacionais derivadas caem ("ataque central"). Estratégia: blindar a marca-base contra contestações antes de internacionalizar.

Análise local em cada país

A WIPO administra; cada país analisa o pedido conforme sua lei. Pode haver:

  • Indeferimento em alguns países
  • Exigências locais
  • Necessidade de constituir representante local
Não é registro automático

"Pedido internacional Madri" não significa "aprovado em todos os países". Cada escritório local examina e pode recusar. Atenção redobrada para mercados linguisticamente sensíveis (Japão, China — onde o sinal precisa ser pensado também em ideogramas).

Estratégia de internacionalização

  1. Garantir a marca brasileira robusta (sem oposições pendentes).
  2. Pesquisa prévia nos países-alvo — marca livre?
  3. Plano de classes alinhado com produtos a serem comercializados localmente.
  4. Pedido internacional com os países-alvo iniciais.
  5. Designações posteriores conforme expansão geográfica.
  6. Vigilância contínua em cada país (oposições locais).

Quando vale a pena

  • Empresa com plano de exportação consolidado.
  • Marca com identidade própria que precisa de proteção fora.
  • E-commerce internacional / marketplaces globais.
  • Operação de Holder Service internacional (a Wissen presta este serviço a clientes do exterior — registro brasileiro vinculado pode ser ponto de entrada do contrário também).

Custo aproximado

Taxas WIPO + designações + traduções: depende dos países escolhidos. Para 5-10 países, é fração do custo de fazer cada um separadamente — vale o exercício de calcular.