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Recolhimento de produtos (recall): como evitar e o que fazer quando acontece

Nenhuma empresa quer fazer recall. Mas quando ele é necessário, a velocidade e a transparência da resposta separam quem perde produto de quem perde a marca.

Quando o recall é obrigatório

A ANVISA pode determinar o recolhimento. A empresa também pode (e deve) iniciar voluntariamente quando identificar:

  • Desvio de qualidade que afete segurança ou eficácia.
  • Não conformidade regulatória (rotulagem errada, alteração não notificada).
  • Evento adverso grave com nexo causal.
  • Falha em controle de qualidade que invalide o lote.
  • Decisão da matriz estrangeira (recall global).

Os três pilares da prevenção

  1. Sistema de qualidade robusto — BPF/BPL bem implementadas, validadas e auditadas.
  2. Rastreabilidade ponta a ponta — do insumo ao ponto de venda, com lote/serial.
  3. Vigilância pós-mercado ativa — cosmetovigilância / farmacovigilância / tecnovigilância funcionando.
Recall = comunicação

Mais que logística, recall é gestão de comunicação. Tom da carta, transparência com a ANVISA, clareza com o ponto de venda — tudo conta para preservar a marca.

Procedimento de recolhimento

Quando o evento aconteceu, o fluxo é:

  1. Avaliação técnica — gravidade, abrangência, classe de risco.
  2. Comunicação à ANVISA (Notivisa / VigiMed / canal específico).
  3. Plano de ação com cronograma, escopo (lotes), pontos de coleta.
  4. Comunicado ao mercado — distribuidores, varejistas, profissionais de saúde.
  5. Comunicado ao consumidor quando o produto chegou ao usuário final (mídia, redes sociais, site).
  6. Logística reversa — coleta, segregação, destinação adequada.
  7. Relatório final à ANVISA com eficácia do recolhimento (% recuperado).

Classificação do recall

A ANVISA classifica o recolhimento em:

  • Classe I: produto pode causar dano grave ou morte. Urgência máxima.
  • Classe II: produto pode causar dano reversível ou de baixa gravidade.
  • Classe III: produto não atende padrões mas não há risco real à saúde.

Cada classe tem prazos e exigências de comunicação diferentes.

O dia seguinte

Depois do recall, vem o plano de ação corretiva — entender a causa, corrigir o sistema, atualizar procedimentos, treinar pessoal. A ANVISA frequentemente pede prova dessa correção.

Empresa que faz recall bem feito sai com a marca arranhada, mas recupera. Quem tenta esconder ou minimizar, perde duplo: o produto e a credibilidade.