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Tecnovigilância para dispositivos médicos: requisitos e fluxo de notificação

Para dispositivos médicos, vigilância pós-mercado tem nome próprio: tecnovigilância. Os princípios são parecidos com farmacovigilância, mas a operação tem regras específicas.

Definição

Tecnovigilância (TV) é o sistema de detecção, avaliação, compreensão e prevenção de eventos adversos ou queixas técnicas envolvendo dispositivos médicos.

A regulamentação brasileira está na RDC 67/2009, com complementos em normativas mais recentes (incluindo a integração com UDI da RDC 884/2024).

Quem é responsável

O detentor do registro do dispositivo médico — seja fabricante nacional, importador ou representante de fabricante estrangeiro.

O que precisa estar implementado

  1. Responsável técnico pela tecnovigilância identificado e capacitado.
  2. Procedimentos documentados de recepção, classificação e investigação de eventos.
  3. Canal de recepção divulgado (formulário, e-mail, telefone).
  4. Sistema de registro com rastreabilidade (lote, número de série, paciente quando aplicável).
  5. Investigação de cada evento.
  6. Notificação à ANVISA via Notivisa dentro dos prazos:
  • Eventos sérios: 10 dias corridos (óbito), 30 dias (lesão grave).
  • Falhas técnicas com potencial de evento grave: 30 dias.
  • Eventos não sérios: relatórios periódicos.
  1. Plano de ação quando o evento exigir (ajuste de instruções, recall, alteração de produto).
Conexão com UDI

A implementação da Identificação Única de Dispositivos (UDI) facilita drasticamente a tecnovigilância. Quem ainda não migrou os processos para usar UDI vai precisar fazer — e perde tempo com rastreabilidade manual no entretanto.

Recall (recolhimento)

Quando o evento indicar risco coletivo, o detentor deve avaliar recolhimento de mercado. As ações possíveis:

  • Carta ao usuário com orientação corretiva
  • Recolhimento parcial (lotes específicos)
  • Recolhimento total do produto
  • Suspensão temporária da comercialização
  • Atualização do produto (ex.: nova versão de software)

Cada ação precisa ser comunicada à ANVISA, com plano e cronograma.

Investigação de causa-raiz

Eventos sérios pedem investigação aprofundada — não basta notificar. As ferramentas comuns:

  • 5 Porquês
  • Diagrama de Ishikawa
  • FMEA (Failure Mode and Effects Analysis)
  • Análise de tendências de eventos similares

Tecnovigilância como dado estratégico

Empresas que tratam TV como dado real — não como burocracia — encontram cedo problemas de design, lotes problemáticos e oportunidades de melhoria. As que ignoram pagam caro quando vira recall.