O que é a rotulagem frontal
A RDC 429/2020 e a IN 75/2020 estabeleceram as regras para a rotulagem nutricional frontal — o famoso "selo de lupa" que indica alto teor de:
- Açúcares adicionados
- Gorduras saturadas
- Sódio
A lupa é obrigatória sempre que o alimento ultrapassa os limites definidos. Isolar o consumidor da decisão "técnica" foi a aposta da ANVISA — quem vê a lupa sabe imediatamente que aquele produto exige moderação.
O que mais mudou
Além da lupa, a regulamentação atualizou:
- Tabela de informação nutricional — novo layout, com porção declarada e por 100g/mL.
- Lista de ingredientes — ordem decrescente, com aditivos identificados.
- Alegações nutricionais — só permitidas quando o produto atende a critérios técnicos.
- Alergênicos — destaque obrigatório quando presentes.
- Lactose — declaração quando aplicável.
- "Contém glúten" / "Não contém glúten" — destaque visível.
Quem precisa se preocupar
Praticamente toda a indústria alimentícia — fabricantes nacionais, importadores, marcas próprias e franquias de food service que vendem produtos embalados.
Os microempreendedores individuais e pequenos produtores têm regras específicas — mas isso não significa isenção.
Vender alimento embalado online sem rotulagem conforme é tão irregular quanto no varejo físico. Plataformas têm intensificado a moderação para evitar responsabilidade solidária.
Fiscalização e penalidades
A fiscalização é feita pelas Vigilâncias Sanitárias estaduais e municipais, com suporte da ANVISA. Penalidades incluem:
- Advertência
- Multa sanitária
- Apreensão dos produtos
- Suspensão da comercialização
- Cancelamento da licença sanitária
Como adequar
- Auditoria de todos os SKUs — comparar rótulo atual com a norma vigente.
- Análise nutricional laboratorial — para gerar dados confiáveis.
- Redesenho dos rótulos — adaptar layout, lupa, tabela, alegações.
- Validação técnica antes da impressão.
- Plano de troca de estoque — substituição gradual nas prateleiras.
Quem tratou rotulagem como obrigação de design — e não como obrigação técnica — costuma ter problemas. O melhor caminho é envolver consultoria regulatória antes de fechar o brief com a agência criativa.
